Brigadas de Recolha de Dadores de Medula Óssea

terça-feira, 10 de abril de 2012

Dia +314

Finalmente recomeçaram as aulas.
Se já é difícil estar fechado em casa por causa da doença, pior é estar fechado e sem nada para fazer.
Nada, quer dizer, nada de útil porque o João não pára quieto um segundo.
Desde jogar à bola dentro de casa, jogar no computador, jogar às cartas, ver televisão, arranja sempre com que se entreter. Mas não é a mesma coisa.
Hoje já falou com os colegas, a maior parte deles passaram aqui as férias, um dua vinha um, noutro vinha outro, mas hoje nem precisou que o acordasse.
Até podem pensar que estar em casa é fácil. Mas não é.
Há dias que me sinto enlouquecer. Que preciso de ter uma conversa de adultos, de ver gente, de sentir que posso sair quando me apetece. O João sente o mesmo.
Por mais que tente ocupar-nos o tempo, há dias dificeis de suportar. Pelo isolamento, pela doença, por tudo.
O bom no meio de tudo é que nos aproximou como nunca. É o meu compincha, o meu confidente, o meu amigo. E dá bons conselhos. Porque felizmente ainda é uma criança feliz, apesar de tudo, e ainda tem aquela visão simplista do mundo que nós, adultos, perdemos algures pelo caminho.
Eu, vou arranjar-lhe o pequeno almoço, dar-lhe a medicação, arrumar a loiça, tratar da roupa do João,desinfectar a casa pela milionésima vez, fazer as camas de lavado e o almoço ali pelo meio.
Sim, porque eu estou em casa e não faço nada.
Mas da parte da tarde vou ao cinema.
No meu sofá, com o meu amigo, uma manta quentinha e um monte de pipocas.

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